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A linguagem do indizível

A literatura de Marina Colasanti é a da construção mágica de universos por meio de uma poética muito particular. Autora de mais de 50 livros de diversos gêneros literários e tradutora de muitos outros, recebeu prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Ibero-Americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, e foi indicada ao Prêmio Hans Christian Andersen. Em entrevista ao projeto “A arte de fazer livros”, ela repassa a sua carreira, conversa a respeito do processo criativo de suas obras, debate o papel fundamental das bibliotecas comunitárias na formação de novos leitores e reflete sobre o futuro da literatura. Quando...

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O Brasil pela imagem: a ilustração de livros e o passado colonial

Ao iniciarmos este texto sobre o longo trajeto das imagens narrativas em nossos livros para crianças e jovens, temos que excluir, antes de tudo, mas sem ignorá-los, os traumas de um passado colonial, que dão margem às depreciadoras comparações tão comuns, como ao se dizer que, enquanto na Inglaterra, em 1789, William Blake publicava o livro Canções da inocência, uma obra referencial no que tange à relação entre palavra e imagem, nós amargávamos na época, diferentemente das colônias hispânicas, a proibição do uso da impressão tipográfica. É verdade que esse entrave cultural se prolongou por três séculos, por todo o...

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Pensando com traços

O ilustrador e escritor brasiliense Roger Mello é um desbravador das linhas e das formas. A sua produção ficcional é resultado de inúmeras experiências estéticas e também de suas reflexões sobre a construção da imagem e a sua relação com a palavra. Premiado com o Hans Christian Andersen, o mais importante para a literatura infantojuvenil no mundo, é um sujeito eloquente e estudioso, capaz de transformar as suas viagens em literatura. Da inquietação tão íntima nasce o desejo de compartilhar seus pontos de vista e suas elucubrações sobre as voltas que dá ao redor do mundo. Roger Mello é mais...

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A literatura, o chamado “universo infantil” e a vida mesmo

Aproveito este espaço para apresentar alguns pontos e dúvidas que têm sido importantes para mim, não só como autor de livros para crianças e jovens há mais de vinte anos, mas também como pessoa tentando compreender a vida e o mundo. Nossa tradição cultural tem pressuposto a existência de um “universo infantil”, que se configura em oposição a outro, o “universo adulto”, ambos tratados como fatos naturais, nítidos, lógicos e indiscutíveis. São conhecidas as diferenças entre adultos e crianças: adultos costumam ser capazes de pensar abstratamente; podem ter maior capacidade de concentração e de trabalho; fisicamente são mais fortes do...

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Em busca do texto potencial

A produção artística de Aline Abreu é movida pelos gestos e pelas sensações que envolvem as páginas dos livros. As texturas, as cores e os detalhes são elementos fundamentais para compor as suas histórias. Com uma carreira que se desdobra a partir das artes visuais, a artista – chamá-la de “autora” ou “ilustradora” poderia criar um certo reducionismo – construiu um modo muito próprio de fazer livros, explorando as espacialidades da página e as muitas interpretações da palavra. Seus livros estão para além de uma leitura literária em um sentido mais estrito e se revelam como um olhar para o...

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A ilustração do livro de literatura infantil no Brasil: um brevíssimo panorama

De acordo com o professor, pesquisador e ilustrador Rui de Oliveira (2008, p. 65-66), O patinho feio, publicado em 1915, é considerado o primeiro livro infantil ilustrado e editado em quatro cores no Brasil, destacando ainda que, na data da publicação, não constava na capa o nome do ilustrador Francisco Richter, mas apenas o do escritor Hans Christian Andersen e do coordenador da coleção Arnaldo de Oliveira Barreto. Além disso, Oliveira (2008, p. 65-66) enfatiza que as ilustrações, “já naquela época, tinham uma comunicação não linear, própria da linguagem imagética”. A crítica literária Laura Sandroni (2013, p. 13) acrescenta que...

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Um exercício de criatividade e empatia

O mineiro Leo Cunha é um escritor profícuo: em três décadas de literatura, já produziu mais de 70 livros, incluindo títulos infantis, juvenis e colaborações. O segundo entrevistado do projeto “A arte de fazer livros” tem a fala mansa, mas afiada, e o jeito traquina de quem conhece bem as crianças. Mergulhando no universo dos pequenos, construiu uma obra que atravessa os mistérios e os encantamentos, que valoriza as descobertas e as amizades. Seus livros são, antes de tudo, um exercício de criatividade e empatia. O escritor – organizador e tradutor de Balada da estrela e outros poemas, de Gabriela...

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O atrativo e o nutritivo: fatiando ideias sobre livros, leitores e escola

Vivemos numa sociedade de consumo e, em nosso contexto, numa época de excessivo culto ao corpo – corpo que se alimenta cada vez menos. Se pensarmos na leitura, não é diferente. Levar o texto literário para ser saboreado pelas crianças em tempos de dieta é um grande desafio – função, em grande parte, desempenhada pelos professores. São eles que necessitam estar bem informados para propiciar uma refeição nutritiva aos seus alunos, não só dos clássicos, mas também das novas publicações que o mercado editorial apresenta. Essa oferta começa na seleção dos ingredientes. Como são escolhidos os livros para as crianças?...

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A poesia da imagem

A obra literária de Odilon Moraes, o entrevistado deste episódio do projeto “A arte de fazer livros”, se constrói e se desdobra para além das imagens. O artista é um leitor ávido e um dos principais nomes do livro ilustrado no Brasil, um formato que, apesar de recorrente na Europa e nos Estados Unidos, ainda tem buscado o seu espaço por aqui. Autor de Rosa, publicado pela Olho de Vidro e vencedor dos prêmios FNLIJ e João-de-Barro, Odilon Moraes falou sobre a descoberta da ilustração, o processo criativo e a ideia de silêncio que percorre os seus livros. Você costuma...

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Os direitos autorais e a pirataria de livros

O mercado editorial brasileiro, nos últimos anos, tem atravessado momentos delicados. Não bastasse a vertiginosa transformação do varejo do livro, acentuada pela crise que atingiu duas das maiores redes de livrarias do país, a Cultura e a Saraiva, e também pela entrada da Amazon no mercado tupiniquim, oferecendo descontos impossíveis de serem acompanhados pelas concorrentes nacionais, as editoras, os autores e os demais profissionais envolvidos na produção de obras literárias precisam lidar com uma ameaça silenciosa e quase invisível: a pirataria. A situação chegou a tamanha gravidade que, em dezembro do ano passado, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR)...

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