Tag: Mariana Ianelli

O Mário de Andrade dos meus dezesseis anos

Quando Manuel Bandeira leu o primeiro livro de poemas de Mário de Andrade (publicado há exatamente um século), não teve dúvidas: era um livro ruim. Mas esse ruim não era – digamos – um ruim consabido, evidente, definitivo. Era diferente. Era um “ruim estranho”. Foi aí que Bandeira farejou qualquer coisa a mais que não deixava o tal mau livro passar em branco. Eu era menina quando abri o livrão da poesia completa de Mário, ainda sem saber que a capa de arlequim estava lá para lembrar a primeira edição de Pauliceia desvairada. Livrão da biblioteca da mãe cheio de...

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Lendo Tonino Guerra

Tonino Guerra voltava para sua aldeia depois de velho. Mais de trinta anos a respirar o ar de Roma e então, um dia, como na infância antes da guerra, as montanhas, o canavial, o rio, o mel das abelhas selvagens. Conhecia de menino o vale do Marecchia e com alma de menino foi arrepanhando suas histórias. A vida, sendo simples, levava a imaginar. Um copo com água de chuva e a alma do menino sente o gosto dos relâmpagos.

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Uma vida entre amigos

Os livros que pela primeira vez amei eram livros da biblioteca do quarto da mãe. Livros de poesia que me chamavam pelo título, pela capa, por uma página aberta ao acaso. Mário de Andrade. Neruda. Baudelaire. Fernando Pessoa. Maiakóvski. Cecília Meireles. Emily Dickinson. T. S. Eliot. Drummond. Dante. Brecht. Lorca. Assim todos misturados. Depois vieram romances, amores de Alexandria, amores do tempo de Salomão, dos tempos do cólera, guerras do tempo de Nabucodonosor, das colônias, dos impérios, sagas de família, histórias passadas em paisagem de neve, em noites do sertão, nos desertos, na noite das cidades, em quartos alugados, becos,...

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